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 Bola Quadrada    março 11, 2010
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HEXACAMPEÃO

Quanto tempo os torcedores rubro negros esperaram para soltar este grito? uito, muito tempo. Quase que uma maioridade. Mas aos dezessete anos de vida, chega ao fim este tormento. O Fla é campeão brasileiro, algo tão improvável em alguns momentos, mas agora tão real. Nada demais para um campeonato marcado por reviravoltas espetaculares. Não é Fluminense? Não é Palmeiras? O que me diz Cruzeiro, São Paulo e Atlético Mineiro? Se um campeonato por pontos corridos for sempre igual ao que se viu em 2009, então eu vou mudar meus conceitos...
 
Uma equipe merecidamente campeã. E quem apostaria no Fla quando o campeonato começou? O goleador era uma incógnita, abandonara uma vida de luxo na Itália para voltar aonde tudo começou. O principal articulador de jogadas, no auge de seus 37 anos, já havia sido em outros tempos um ótimo jogador, mas colecionava três passagens decepcionantes por outros clubes, fora a fama de desagregador. E o técnico? Um ótimo jogador do passado, uma espécie de quebra galho, uma solução caseira, sem experiência, sem costume... No início do segundo turno, duas novas contratações: um zagueiro dispensado pelo Internacional e um meia chileno sumido pelo centros menos visados da Europa. Esperar o quê?
 
Um título. O futebol e sua ilógica tratou de ajustar aquelas peças, e o que se viu foi uma recuperação espetacular, um enredo que foi se formando e um título a muito esperado concretizado. E o Flamengo merece...
 
E para quem disse que o Grêmio e seu mistão iria entregar, o jogo final foi duríssimo. Não foram poucos a lembrar dos Santo Andrés e Américas do México da vida. Mas desta vez o rubro negro conseguiu se reerguer a tempo de evitar o vexame e a nova decepção. Mas foi por pouco...
 
Reviravoltas Espetaculares
 
Como já se falou, este foi o campeonato das reviravoltas. O Sport começou com pinta de boa aposta e a campanha forte na Libertadores só reforçou o conceito. Mas o barco virou e com ele a carruagem pernambucana virou abóbora. E o que dizer do Palmeiras? Dado como campeão com oito, dez rodadas de antecedência, o time foi naufragando, naufragando e se viu, na última rodada, fora inclusive da Libertadores. Ainda assim teve Diego Sousa considerado o melhor jogador do campeonato. Tem sentido? Com todo respeito ao Diego, que vem jogando muito bem, acho que não.
 
O Cruzeiro subiu a tempo de beliscar a vaga que era do Palmeiras. O Atlético Mineiro caiu a tempo de ficar bem atrás do G-4. E o Fluminense. É. O Fluminense é um caso a parte.
 
Onze rodadas para o fim. Situação calamitosa. Pouquíssimas vitórias. 98% de probabilidade de queda. Fechou o caixão? Não. Empregando uma sequência até então inimaginável, o tricolor certamente empregou a maior virada já vista em terras brasileiras. E de quebra criou um ótimo padrão, montou uma equipe de futebol (não um bando) e já tem base para iniciar o ano de 2010 com vantagem.
 
Só não contava com a saída de Cuca, sabe-se lá Deus por que razão. Só mesmo Cuca para explicar este estranho desligamento que se anuncia.
 
Barbárie
 
Estado do Paraná descaracterizado como sede da Copa. Coritiba rebaixado para a série C. Estádio interditado. Torcida proibida de assistir ao time jogar durante o ano todo. Cada um dos identificados com pedaços de pau, cabos, bancos, pedras na mão indiciados por tentativa de homicído. E o mínimo que se pode esperar após as cenas vistas no Estádio Couto Pereira após o jogo contra o Flu que definiu a queda do alviverde paranaense. Talvez assim as autoridades passem a demonstrar que o grau de preocupação é grande neste país, e que a impunidade aqui não impera. Deixar este episódio passar sem punição exemplar não vai ajudar em nada o Brasil como sede do próximo mundial. E como as cenas provavelmente rodarão o mundo, um a resposta certa e rápida é mais do que o necessário.
 
Amnésia no Tricolor Paulista
 
O São Paulo é um legítimo campeão. É o clube mais vitorioso do futebol brasileiro. Seus três mundiais não deixam margem para dúvidas. Diante deste fato, qual é o ganho do tricolor com a conquista do Flamengo? Ao que interessa ao São Paulo por em cheque o hexa do Flamengo? Para a informação de Hernanes e André Dias, é bom lembrar que o ano de 1987 foi marcado pela tentativa dos grandes clubes de provar sua união e sua capacidade de organizar um campeonato próprio. Hoje, pouco importa quem a CBF reconhece como tal, mas é no mínimo amoral que o São Paulo (e todos que falam pelo São Paulo) não reconheçam isto. Afinal, a decisão de Flamengo (e Internacional) de não disputar o tal quadrangular imposto pela CBF para a definição do campeão brasileiro de 1987 veio da própria organização criada pelos clubes, a organização que pregava a união dos grandes clubes brasileiros, o Clube dos 13, presidido na época pelo presidente do São Paulo, o senhor Carlos Miguel Aidar.
 
Reconhecer decisões históricas é um dever das novas gerações. E isso em nada diminuirá a grandeza do São Paulo ou o status que o tricolor alcançou.
 
Deixa Pra Lá (Caindo Na Real)
 
Ao cumprimentar Patrícia Amorim, nova presidente do Flamengo, Ricardo Teixeira, o presidente da CBF, pediu a ela o hepta do Fla. Como se vê, nem mesmo a CBF respeita a decisão esdrúxula de não reconhecer o título brasileiro do Flamengo em 1987.
 

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