Ronaldo Cesar publicou em 20 de outubro de 2008 às 17:16

Texto baseado no artigo publicado na revista Época de 18/08/2008.
Não faz muito tempo, fiquei estarrecido ao ler uma notícia publicada na revista Época. Sob o título de "O lado B do iPhone", a revista publicava a descoberta, feita por usuários, de que o iPhone vem com um mecanismo que permite à Apple espioná-los. A "função secreta" foi descoberta por hackers americanos no iPhone 3G. Segundo eles, todos os aparelhos viriam de fábrica com um programa que permite à Apple apagar softwares piratas e monitorar informações confidenciais dos usuários. A notícia se espalhou rápida como um vírus pelos sites de tecnologia e foi manchete do jornal americano Wall Street Journal quando o fundador e presidente da Apple, Steve Jobs, reconheceu a existência do código no aparelho.
Mesmo sabendo que tais notícias volta e meia provocam verdadeiros reboliços no mercado, o que de fato me deixou perplexo foi a falta de divulgação da mesma. Excluído-se, é claro, a revista citada acima, eu não vi e não li nada sobre o assunto em jornais, revistas ou noticiários na tv. E o engraçado é que nosso país vive dias de euforia e expectativa. O iPhone acaba de ser homologado pela Anatel e poderá chegar às lojas a qualquer momento, vendido pelas operadoras Vivo, Claro e Tim. Sendo assim, ainda que de forma prematura, é pertinente que se conclua duas coisas: ou existiu uma "blindagem" na imprensa para que tal notícia não fosse bem badalada ou, por enquanto, a brecha de segurança não parece ser um problema para quem deseja ter um iPhone no Brasil. O fato é que a "tribo" de amantes da Apple está sedenta e pronta para pagar pelo "bonitão" sem saber ou se importar com a face oculta do mesmo.

Lá fora, contudo, o burburinho é muito grande e pôs em estado de alerta os mais de 12 milhões de usuários de iPhone. É certo que grande parte dessa multidão baixa programas de vários sites da internet sem o aval da Apple. Estimativas indicam que, só neste ano, tenha havido 70 milhões de downloads para iPhone, sendo que apenas 3% deles oficiais. Portanto, se a Apple resolver criar algum tipo de dificuldade para quem usa os programas que ela não aprovou, 97% dos usuários teriam algum tipo de prejuízo. Isto sem falar das mais de 450 empresas que nasceram à sombra da Apple e sobrevivem da venda de programas para iPhone. Nigel Clifford, presidente da Symbian, fabricante de sistemas para celulares que competem com o iPhone: “Não sei como a Apple vai atuar em relação a seus parceiros. Espero que ela tenha bom senso”.
A notícia provocou revolta entre os amantes do iPhone. "Se é para ser monitorado pela Apple, prefiro não ter iPhone", afirma categoricamente o americano Ryon Lee, de 17 anos, no blog MacRumors. "Paguei pelo aparelho e tenho o direito de usar os programas que quiser". Lee tem medo de que a Apple use de forma inadequada as informações que recolhe com o rastreamento. "Ela pode ter acesso a minhas senhas e vasculhar minha vida", disse Lee.
Desde seu lançamento, o iPhone foi atacado três vezes por vírus. As vítimas, coincidentemente, sempre foram celulares desbloqueados com softwares piratas. A Apple diz que o monitoramento faz parte de sua estratégia de segurança. Já os donos de iPhone afirmam que isso é invasão de privacidade – e torna seus aparelhos mais sujeitos a ataques. E o risco tecnológico é, de fato, outra faceta bastante perigosa desta descoberta. É mais do que sabido que os hackers estão sempre atentos e em busca dessas supostas "brechas" na segurança. "O iPhone tem uma porta aberta, e isso é muito perigoso", disse o escritor americano John Battelle, um dos maiores especialistas nas inovações da internet.

E será que a confiança da "tribo" foi abalada? Ainda não dá para saber! No entanto, as vendas, em breve, devem revelar isso. O certo é que nos Estados Unidos, o clima é bastante tenso. Contraditoriamente, aqui continuam em grande escala os anúncios do grande sucesso do ano no mundo todo, do aparelhinho mais esperado e festejado do ano, o sonho de consumo de 11 entre 10 amantes de tecnologia e gadgets: o iPhone da Apple desbloqueado.
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Até breve.
Ronaldo Cesar